Comunicação – tecnologia – cultura – internet
Talvez seja demais falar novamente sobre esse assunto, tão pouco tempo após o post sobre design “DeafFriendly“. Mas é engraçado como coisas que estão na tua cara há muito tempo, precisam de um gatilho para fazer parte das tuas percepções.
Temos aquela infelicidade de horário eleitoral gratuíto passando. Como trabalho entre políticos, durante o video, as ferramentas, os recursos e os discursos, consigo ver muitas coisas que a maioria das pessoas não consgue. Mas uma coisa que eu não consigo ver, é o que está escrito nas legendas.
Como os candidatos falam na minha língua primária, a mim ou pessoas “semelhantes”, não são direcionadas aquelas legendas. Elas são direcionadas à pessoas que têm problemas auditivos, o que costuma ser o meu caso apenas quando os professores falam comigo.
Bem, eu queria saber por quê as pessoas que produzem, dirigem e editam esses videos das propagandas políticas, imaginam que surdos têm super-visão? Essa é a única maneira de conseguir ler aquelas legendas. Se alguém me falar que as televisões de 42 polegadas têm se popularizado com a queda dos preços das TVs LCD, eu vou imaginar que essa pessoa é muito irônica.
Esse tipo de coisa, não é apenas um desrespeito, é também uma péssima oportunidade para comunicar proposta e ganhar eleitores em Porto Alegre, uma cidade que não tem um grande favorito em 2008, e pode ser decidida por uma diferença bem pequena.
É também uma atitude que demonstra uma certa incompetência, pois prova que ainda se prioriza o visual ao conteúdo, em um produto várias vezes feito por pessoas que queriam estar fazendo filmes de arte, e fazem isso apenas por dinheiro. Não peço que isso devesse ser, para elas, uma questão ideológica, mas ao menos fossem profissionais o suficiente para perceber que nem os que ouvem, nem os surdos, que é o “público alvo” das legendas, consegue ler aqueles caracteres nanicos, brancos e muitas vezes sem borda ou sombra.
Existe tanta bobagem em lei que fala que a informação política deve chegar à todos, mas eles não dão bola para grupos menores (em quantidade) de eleitores.
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Diego Jock
September 4th, 2008 at 4:56 am
Cara, ótimo artigo.
Aliás, eu acho que deveria ser proibido isso de colocar as letrinhas miúdas.
Veja um comercial das Casas Bahia. Tudo aparece numa fonte de tamnaho 0,3 – e numa velocidade impressionante. Nem se eu fizesse um curso de leitura dinâmica (”leia um livro de 200 páginas em uma hora, com 100% de compreensão”).
Lucas Pereira
September 4th, 2008 at 6:15 am
Valeu!
Muito tosco aquilo. Já existe o texto legal, que aparece supermiúdo e é uma ofensa ao consumidor. Agora, as legendas microscópicas… Eu tenho a impressão que eles querem dizer:
“Olha, nós lembramos de vocês. Se esforcem pra fazer parte do processo eleitoral, pois nós estamos fazendo todo o possível para incluir vocês. Têm que ser mais esforçados.”
E eu já escutei: “Tem que ter mais trabalho, e ficar fazendo legenda pra meia dúzia de ’surdinhos’ que nem vão dar bola para a propaganda política.”