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As grandes potências do mercado publicitário brasileiro começam a dar os primeiro sinais de que o pior que ainda está por vir, será ainda mais grave devido à sua falta de empenho na lição de casa.
Como em toda percepção de risco, a primeira reação instintiva é a defesa. Ato que, muitas vezes, pode ser feito de maneira impensada ou que talvez desafie a capacidade de raciocínio de um mercado que se julga tão inteligente.
A primeira manifestação pública de grande porte veio por parte da F/Nazca Saatchi & Saatchi, que publicou um anúncio de página inteira nos maiores jornais do Brasi, o que talvez ainda irá lhes render todo o “revés de regalias” de quem dá a cara tapa mas e esquece de caprichar no make.
Veja na íntegra o texto do anúncio, no blog do Fábio Seixas.
É como se um rato olhasse para seu próprio rabo aprisionado por uma ratoeira e, no desespero do momento, tentasse partilhar com seu caçador a idéia de que existe um queijo ainda maior, que poderá ser dividido por todos.
Agências de grandes empresas brasileiras que apostaram erroneamente em manobras cambiais, tendo prejuízos homéricos da noite para o dia sofrem o doloroso e amargo momento da espera por um futuro ainda incerto, gerada pela desesperada suspensão de algumas campanhas e investimentos na publicidade.
Mas, peraí. Para onde vai o BV e, consequentemente, o whiskey das nossas crianças?
Como reagir quando a conta de apenas 1 desses clientes responde por mais de 50% do faturamento total da agência? Não seria hora de rediscutirmos o modelo de negócio onde agarra-se com unhas e dentes o BV e desvalorizam-se as idéias, o planejamento e todo o restante do know-how e o background envolvidos na “transpiração” de uma campanha?
Esse é o impacto negativo da venda de almas e de todo o “oba oba” que se tornou a concorrência pelas contas dos clientes. A gastrite que queima nossos estômagos é consequência de nossa voracidade, inversamente sentida em um momento onde passamos a sentir fome.
Que tal assumirmos nossa parcela de culpa na enfermidade e buscarmos por um remédio realmente eficaz?
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Michel Lent
October 12th, 2008 at 9:37 pm
Rodrigo, acho que a crise da qual a Nazca está falando vai um pouco além das Sadias da vida que dependem do mercado externo e dos dólares para funcionar.
Não acho que o prejuízo dessa crise vai ser exclusividade nem dos publicitários nem dos especuladores. Pode pegar todo mundo e precisamos sim encontrar saídas urgentemente.
Acho que a crise é séria sim, e é muito maior do que o mercado publicitário engloba. Mas parte do problema dessa crise é o pânico
e acho que o texto da Nazca tentar justamente alertar para isso e tentar dar alguma fagulha de otimismo, como eles mesmos dizem.
Abraço, M
Leandro Bulkool
October 12th, 2008 at 9:50 pm
Rodrigo, está certo que o modelo de negócio de agências tradicionais está mudando, ou ao menos precisa mudar, evoluir para as novas mídias e formatos. Mas este anúncio tem mais um clima do que todos nós temos que fazer do que apenas apontar para um queijo maior, temos que dar movimento aos nossos trabalhos.
Eu gostei e achei motivante.
Abraços.
Felds
October 12th, 2008 at 10:26 pm
Fato que em todos os casos há os que ganham e os que perdem… Crises não são exceção a esta regra, mas sim um exagero dela, onde um monte perde muito, mas alguns se dão estupidamente bem.
Mas, infelizmente, o brasileiro, apesar de inventivo, também é medroso. Aqui não deixa de ser um péssimo lugar para se levantar de tombos.
Perfurar a estratosfera é ridiculamente complicado. A linha que separa os que “se dão bem” para a média é fina, mas incrivelmente resistente.
Talvez isso explique todo esse medo e acanhamento de quem não quer cair. É totalmente justificável.
Porém, acho que podemos esperar movimentos inventivos e ousados daqueles que têm menos a perder. É hora dos menores mostrarem a que vieram.